Velho Safado!
Homenagem ao Velho Charly!
"você pode não acreditar nisto
mas há as pessoas
que passam pela vida com
muito pouca
fricção de angústia.
eles se vestem bem, dormem bem.
eles estão contentes com
a família deles.
com a vida.
eles são imperturbáveis
e freqüentemente se sentem
muito bem.
e quando eles morrem
é uma morte fácil, normalmente durante o
sono.
você pode não acreditar nisto
mas tais pessoas existem.
mas eu não sou nenhum deles.
oh não, eu não sou nenhum deles,
eu não estou nem mesmo próximo
para ser um deles.
mas eles
estão lá ...
e eu estou aqui."
(Charles Bukowski)
Velho Safado!
Homenagem ao Velho Charly!
"você pode não acreditar nisto
mas há as pessoas
que passam pela vida com
muito pouca
fricção de angústia.
eles se vestem bem, dormem bem.
eles estão contentes com
a família deles.
com a vida.
eles são imperturbáveis
e freqüentemente se sentem
muito bem.
e quando eles morrem
é uma morte fácil, normalmente durante o
sono.
você pode não acreditar nisto
mas tais pessoas existem.
mas eu não sou nenhum deles.
oh não, eu não sou nenhum deles,
eu não estou nem mesmo próximo
para ser um deles.
mas eles
estão lá ...
e eu estou aqui."
(Charles Bukowski)
O Homem da minha vida
Houve um tempo que eu fui triste, tão triste que minha retina registrava o mundo em escalas de cinza. Naquele que eu considero o dia mais melancólico que vivi, tudo estava perdido. Ledo engano: tudo estava começando!
Graças ao cara com nome de Dicionário o conheci, faltavam dois dias para o meu aniversário e eu estava numa fase digamos, sem perspectiva: a vida tava um saco; ia me mudar [fuga x negação] da casa que nasci; tinha uns doze quilos a mais que hoje; cabelos desbotados. O que me agradava naquela época era bebericar Yipióca Lemon e choramingar as pitangas enquanto escolhia músicas sofríveis demais para qualquer ouvido na imunda Jukebox do boteco da esquina.
Ele veio como uma onda gigante me tirou do marasmo e fez com que eu sentisse meu sangue pulsar na veia. Pela primeira vez em tempos, voltei a sentir-me viva, forte e grande.
O que vivi de lá para cá é difícil descrever: todos os sentidos aguçados e faminta pelo hálito quente da vida, comecei com ele uma troca de “bem-querência”, num relacionamento que passou por várias fases sendo que, em todas elas, eu estive apaixonada. Não ele, que se rendeu aos meus encantos um bom tempo depois, graças à interferência do Messias [e não me refiro a Deus].
Ele disse que eu sou a mulher da vida dele. E mesmo que não fosse verdade: Eu sou a mulher da vida dele! Ainda bem que ele é o homem da minha.
Dormir de conchinha com quem se ama é uma dádiva que tenho. Seu sorriso sonolento de satisfação, enquanto faço cafuné “é tudo que eu quero pra mim” *
*Trecho de “A Estrada” da banda Cidade Negra.
Espírito de Natal
Espírito de Natal
Natal é uma festa comercial! Isso até criança sabe.
O que eu acho mais trash é que o tal espírito natalino esvaiu-se faz tempo da alma da galera. Lembro-me de quando eu era criança e de como as pessoas confraternizavam com quem gostavam, não era só um evento social onde pessoas que nunca se vêem e tampouco se importam umas com as outras se abraçam e brindam desejando coisas boas umas às outras.
Na infância fui orientada de que o grande motivo daquela reunião entre meus queridos familiares era mais que uma festa com farta comilança e bebedeira: era a festa que simbolizava o nascimento do menino Jesus – ícone máximo do cristianismo.
Na aurora de minha inocência, acreditava piamente no valor da festa, tanto que, junto com meus primos fazíamos - a nosso modo – uma homenagem: representávamos esquetes mal ensaiadas tendo o nascimento de Jesus como tema.
Os adultos amavam e aplaudiam, achavam aquilo lindo e etc., as crianças, vaidosas, sentiam-se importantes.
O tempo passou e o clima de confraternização deu espaço a viagens, acampamentos, namorados e eventos sociais. Eu também já passei o dia de Natal ao lado de estranhos e os abracei e beijei desejando coisas boas.
Daqui alguns [4] dias é Natal e, aquela querida família com quem passei todos os Natais da infância, resolve, 15 anos depois, reunir-se novamente e confraternizar, como nos velhos tempos. Eis que por conta de uma série de impasses não poderei participar deste grande encontro. Será que dentro dos “trabalhadores-pais-de-familia-casados-solteiros-amigados’ que nos tornamos, ainda queima aquela chama que nos reunia?
Espero que sim! E, só eu sei como eu gostaria de estar lá... Na memória, ainda ouço a voz do pequeno Ricardinho – que virou um copo de aguardente “por engano” – gritando enquanto corria: “Mutum não tem cabeça! Mutum não tem cabeça!”
Onde é a saida?
Enquanto Cai O Mundo
David Bowie
Há um amor tão triste
Profundamente em seus olhos.
Um tipo de jóia pálida
Aberto e fechado
Dentro de seus olhos.
Eu colocarei o céu
Dentro de seus olhos.
Há um coração tão enganado
Batendo tão rápido
À procura de sonhos novos.
Um amor que durará
Dentro de seu coração.
Eu colocarei a lua
Dentro de seu coração.
Enquanto a dor varre,
Não faz sentido nenhum por você.
Toda emoção foi.
Não era muita diversão mesmo,
Mas eu estarei lá para você
enquanto o mundo cai.
Caindo.
Se apaixonando.
Eu o pintarei manhãs de ouro.
Eu o girarei noites de Namorado.
Embora nós sejamos estranhos até agora,
Nós estamos escolhendo o caminho
Entre as estrelas.
Eu deixarei meu amor
Entre as estrelas.
Enquanto a dor varre,
Não faz sentido nenhum por você.
Toda emoção foi.
Não era muita diversão mesmo,
Mas eu estarei lá para você
enquanto o mundo cai.
Caindo
Enquanto o mundo cai.
Caindo
enquanto o mundo cai.
Caindo.
Caindo.
Caindo.
Se apaixonando
Enquanto o mundo cai.
Caindo.
Caindo.
Caindo.
Caindo.
Se apaixonando
Enquanto o mundo cai.
Não faz sentido nenhum mesmo.
Não faz sentido nenhum para cair.
Caindo
Enquanto o mundo cai.
Caindo.
Se apaixonando
Enquanto o mundo cai.
Caindo.
Caindo
Se apaixonando
Enquanto o mundo cai.
Marcela Arlequinal
Texto lindo da grande poetisa Marcela Primo!
§
Então... é aquilo:
- o bálsamo não tem um valor místico.
Era preciso tomá-lo nas mãos, passar com cuidado e vigor sobre as feridas e, por fim, mastigá-lo amorosamente, deixando escorrer o sumo entre os lábios.
Mas você o deixou na caixinha, e por certo perdeu a fita negra que a envolvia...
- pode apagar seus escritos, pode apagar seus tantos nomes e mesmo queira apagar sua vida: porém, não apague;
- a mim importa que derramei lágrimas sobre suas mãos trêmulas - ritual de batismo desde o qual e para sempre terá um único nome: AMADO. ------------------- Ainda que recuse ser amigo, ainda que recuse ser amante.
. é isto:
- o bálsamo era o meu corpo.
Mas você o deixou na caixinha...
§
Encontro Cósmico
Ele disse que o que sentimos foi despertado pelo caos.
Eu não acho! Pra mim foi um encontro cósmico
É incrível a forma como meu corpo reage à presença dele.
Ganhei de presente a oportunidade de acreditar de novo.
Ganhei ombros largos pra pousar minha cabecinha manhosa,
Toque delicado que faz tremer,
Caráter integro pra admirar
Amizade pra desabafar
Mão macia pra apalpar.
Emaranhados, um no colo do outro o encaixe...
Yin-yang - equilíbrio.
A pele leitosa em degradê com a minha cor de minhoca.
O ideal nos une, o desejo também.
Um dia, daqui uns 20 anos seremos um só.
O amor é só um jogo!
Já que me falta inspiração: Salve Alice Ruiz!
Coisa tua
(Waltel Branco e Alice Ruiz)
assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar,
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa
parecida com você
parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido,
mas ia viver um dia
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito,
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei alguma coisa tua
A Lista
Eu, que fazia beicinho para listas, tornei-me há pouco fã do gênero. E como não consigo escrever nada melhor no momento... Aí vai, minha lista:
Odeio:
*Acordar cedo;
*Varrer o chão;
* Exercício físico;
* Pular muro de estação de trem;
* Beber corote por que não tenho dinheiro pra ‘chapar’ com cerveja.
Amo:
* Dormir de conchinha;
* Dar risada até doer a barriga;
* Comer sem se preocupar com calorias;
* Beijar na boca;
* Sexo antes do casamento (e do namoro; e do noivado; e do compromisso...)
Não merecia ter perdido:
* Meu brinquedo preferido (O boneco "Neco" que o FIDAPUTA do Wiliam jogou no ribeirão vermelho, no fatídico verão de 1985);
* Minha moedinha da Itália,
* O busão pra Joanópolis no feriado de 07/09/2006
* Minha carteira vermelha;
* Minha Lili.
Ganhei:
* Meu irmãozinho Anderson (que agora é um ‘irmãozão’);
* 80 moedas no caça-níquel;
* Um beijo inesperado de alguém mais que especial (não conto);
* A velha bicicleta Monark aro 14 (marron e amarela – que cor horrível pra uma bicicleta, não?)
* Meu Greg
Volátil
Sentada na escura escadaria, deixei meu lado humano sobrepor o mitológico: chorei cretinamente solidária a meu ego dilacerado. Mais uma vez fui ferida em conseqüência a minha escolha insensata de viver fora do quadro. Mais uma vez provei do fino e dolorido corte que a adaga de Afrodite propicia aos que amam sem ser correspondidos: não mata, mas fica doendo...
Olhos inchados denunciavam: lágrimas haviam rolado aos montes de minha face, meu coração estava assim, assim: despedaçado. Não adiantou ouvir de meus aliados que eu era mais que tudo aquilo. A verdade é que eu estava me sentindo burra por ter dedicado todo meu tempo pensando naquele vocalista que mais se parece com um personagem de Kubrick. Entorpecida pela minha vaidade volátil, esqueci completamente que, naquela noite, o mais importante não era a conquista daquela paixão platônica: meus amigos estavam ali e, junto com eles, eu deveria estar celebrando a vida. Mas meu ego, só me fez pensar em uma coisa: eu precisava daquele flerte, estava decidida a lutar por ele.
O que mais me doeu foi que eu me deixei envolver pela falsa sensação de vitória: quando veio a meu encontro, me envolveu com seu abraço e me beijou achei que a batalha estava ganha, mas uma hora depois estraçalhou todo meu orgulho desfilando na minha frente com uma garotinha com cara de nada.
Tudo o que eu queria era entrar em um quente, seguro e confortável casulo e ficar lá pelo próximo milênio. Mas não tinha casulo pra mim e em meio a arranha-céus e viadutos cinzentos, tive que viver esse incomodo que se apossou de meu coração-bobo: jogada na sarjeta, vento na cara.
Garçom: dá mais uma dose desse líquido que faz sarar a dor. Moleque: dá mais um trago desse ópio. Tudo evapora...
Fora do Quadro
Mais um dia fora do quadro e eu entrego os pontos!
Saí por alguns instantes pra ver a quantas andava o mundo aqui fora e alguém se aproveitou da minha distração pra esconder o portal que separa o “pseudo-planeta-azul” de meus elefantes pernaltas*.
Que mundo horrível é esse aqui fora do quadro?
Um mundo onde a atmosfera está poluída com os mais pútridos odores e com as mais pútridas pessoas.
Por trás de uma persiana CINZA, observo assustada um mundo do qual não escolhi fazer parte: um mundo sem cores de Almodóvar*, um mundo sem o toque de Jeunet*.
Tô com medo dessa gente que, por ser medíocre, tenta te fazer acreditar que você é inferior.
Gente que tenta te convencer que você deve andar em linha reta, falar comedidamente, rir com postura e vestir-se em série. Uma cambada de egoístas que sempre joga sujo e que se apropria de velhas desavenças do passado pra levantar discussões injustas e esfregá-las em sua cara. Ah! Quer saber? Dessa gente, sinceramente, quero distância!
Alguém que você ama já te disse que “você não é importante”? Que “você não cheira nem fede”?
Pois a mim já! A grande covardia, foi que eu estava desarmada, assustada e vulnerável, literalmente de Calças-capri... Fora do quadro!
Quero voltar pra minha dimensão e cravar minha eterna luta contra Santo Antônio: Ele: com sua cruz, eu: provocando-o com minhas curvas estonteantes – curvas de Dalí*.
Lá, pelo menos, a gente briga mano a mano.
Vera Cristina Flanders Guevara de la Sierna - A verdadeira Viúva do Ernesto
Notas de Rodapé:
A Viúva do Ernesto sofre de sociopatia leve e acredita realmente viver dentro do quadro "A Tentação de Santo Antônio"- de Salvador Dalí
Pedro Almodóvar - é cineasta espanhol
Jean Pierre Jeunet - é cineasta francês
Salvador Dalí - é pintor espanhol, ícone máximo do movimento surrealista.
Eu acho, você acha
Você acha...
... que eles não riem pelas costas do jeito que eu me visto?
... que não carrego um grande fardo por falar tudo que penso?
... que eu perdi o controle?
... que eu me importo com tudo isso?
... que eu não me magôo?
... que eu não estou cansada dos sensores do “Grande Irmão”?
... que eu sou uma reles alcoólatra de merda?
... que eles não tem nada a acrescentar?
... que eu não queria estar apaixonada também?
... que eu deveria emagrecer
Eu acho....
... que ninguém se banha duas vezes no mesmo rio sendo a mesma pessoa (*);
... que a hipocrisia do mundo realmente me incomoda;
... que a cura está na educação;
... que ainda somos os mesmos;
... que eu sempre vou amar aquele verme;
... que enfrentei sozinha as noites mais solitárias;
... que minha barriga não é o mais importante em mim;
... que tudo que eu sei está certo; e, principalmente:
.... que você não me conhece mais!
(*) Parafraseando Heráclito.
Eu sei quem eu amo... e nao conto pra ninguém
Love's a Game (The Magic Numbers)
Oh, maybe I think maybe I don't
Maybe I will maybe I won't
Find my way this time
I hear you're calling me soon
One of these days
Some of these days, and somebody pays
It happens all the time
I'll believing, believing you wanted me to
And maybe I'm a fool for walking in line
And maybe I should try to lead this time
I'm an honest mistake that you made
Did you mean to?
Did you mean?
Oh, did you mean?
Love is just a game
Broken all the same
And I will get over you
Love is just a lie
Happens all the time
Swear I know this much is true
Oh, and they coloured you up
They coloured you down, they coloured you in
And I've been waiting so long
To take you home
And maybe I think, maybe I don't
Maybe I will, maybe I won't
Find my way tonight
But I hear you're calling me soon
And maybe I'm a fool for walking in line
And maybe I should try to lead this time
I'm an honest mistake that you made
Did you mean to?
Did you mean?
Oh, did you mean?
Love is just a game
Broken all the same
And I will get over you
Love is just a lie
Happens all the time
Swear I know this much is true
And maybe I'm a fool for walking in line
And maybe I should try to lead this time
I'm an honest mistake that you made
Did you mean to?
Did you mean?
Oh, did you mean?
Love is just a game
Broken all the same
And I will get over you
Love is just a lie
Happens all the time
Swear I know this much is true
12 de junho
Pela primeira vez dou importância a esta data. Num début solitário, meu ego abalável uniu-se a minha TPM e fez com que eu me entregasse a bucolicosidade do ‘pseudo-feriadinho sazonal’.
Acho que o que me entristece de fato, é que eu não estou apaixonada: por nada e por ninguém. Ultimamente, a coisa que me dá mais tesão é fazer tricô – teço com agulhas enquanto tento dar sentido a vida: mal necessário e desagradável.
Para auxiliar a digestão: dúzia e meia de doses de Dreher com limão - “Dreher não, Domus!”, corrigiu alguém - e videoclipes deprimentes a verdade é que a vida passa menos doída quando você está entorpecido.
Já estive entorpecida de sentimentos, de idéias, de saúde, de objetivos, de lasciva e de álcool. Já chorei sinceramente carregando no peito um sentimento de perda e também já chorei de indignação. Mas hoje, não encontro mais os canais por onde normalmente rolavam minhas lágrimas, meus olhos estão secos e, constantemente me auto-censuro: cismei que tornei-me insensível.
Meu ‘coração peludo’ está inatingível – assim como Thanatus ele nega o amor é vacinado e tem medo de ser atingido de novo. Covarde que sou, volto à velha teoria do casulo: fechada pro mundo, dando ultrapassagem à solidão numa pista de mão única.
Cansei de brigar com meu lado razão e não sei o que faço pra expulsá-lo daqui. Eu queria imediatamente, a caráter de urgência viver um grande amor daqueles que te fazem cantar e dançar no descampado.